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Conta PJ sem tarifa mensal deixou de ser diferencial e virou padrão entre os bancos digitais. Isso é ótimo — e cria um problema novo: se praticamente todas anunciam "tarifa zero", a tarifa deixa de ser critério de escolha. E aí a maioria das pessoas escolhe pelo nome que conhece, que é o pior jeito.
Este guia mostra o que "grátis" realmente cobre, o que continua sendo cobrado em qualquer conta PJ, e como escolher pelo que de fato importa no seu tipo de negócio.
- O que "conta PJ grátis" inclui — e o que não inclui
- Onde conferir a tarifa real de cada banco (documento oficial e obrigatório)
- Como escolher pelo seu tipo de recebimento
- Se MEI realmente precisa separar as contas
⚠️ O que "grátis" cobre de verdade
Quando um banco digital anuncia conta PJ gratuita, quase sempre está falando de um pacote específico: manutenção mensal, Pix e emissão de extrato. Isso é real e já representa uma economia relevante para quem vinha de pacote de banco tradicional.
O que costuma não estar incluído, e é onde o custo reaparece:
- Taxa da maquininha. A maquininha pode ser cedida sem custo, mas cada venda paga um percentual — e é aí que mora a maior despesa de quem vende no cartão. Comparar contas PJ ignorando a taxa por transação é comparar a parte pequena da conta.
- Emissão de boleto. Normalmente cobrada por boleto emitido ou por pacote. Para quem fatura por boleto, esse item pesa mais que qualquer tarifa mensal.
- Antecipação de recebíveis. Receber a venda parcelada antes do prazo tem custo, e ele varia muito entre instituições.
- TED e transferências fora do Pix, quando ainda necessárias.
- Cartão de crédito empresarial, que passa por análise separada e pode ter anuidade própria.
Instituições financeiras são obrigadas a divulgar a tabela de tarifas dos seus serviços. É um documento público, padronizado e bem menos otimista que a página de vendas — e é ali que você descobre quanto custa boleto, TED e os demais serviços da conta que está avaliando.
Procure por "tabela de tarifas" no site do banco antes de abrir a conta. O Banco Central explica o que pode e o que não pode ser cobrado no portal de tarifas bancárias.
🎯 O critério que realmente decide: como você recebe
Como a tarifa mensal é zero em quase todas, a escolha certa depende de onde o seu dinheiro entra. Identifique o seu caso:
| Se você recebe assim | O que priorizar na escolha |
|---|---|
| Pix de pessoa física (serviço, freela) | Qualquer conta digital resolve. Priorize app bom e emissão de nota fácil. |
| Cartão presencial (loja, salão) | A taxa por transação da maquininha, não a tarifa da conta. É a maior despesa do modelo. |
| Boleto (B2B, prazo) | Custo por boleto emitido e taxa de baixa. Um pacote mensal costuma sair melhor que a unidade. |
| Mensalidade recorrente | Cobrança recorrente automática e régua de inadimplência. Vale mais que qualquer tarifa. |
| Marketplace (ML, Shopee) | Integração com o canal de venda, para o saldo cair direto sem transferência manual. |
| Equipe com despesas | Cartões adicionais com limite por pessoa e prestação de contas no app. |
Repare que em nenhuma linha o critério é a tarifa mensal. Ela já é zero em todas — deixou de ser um diferencial. Quem escolhe conta PJ pela tarifa está otimizando o item de menor impacto.
🏦 As opções mais usadas, por vocação
Sem cravar valores, porque tarifa e condição mudam com frequência e um número desatualizado aqui faria você escolher errado. O que muda pouco é a vocação de cada uma:
- Bancos digitais completos (Inter, C6, Nubank, BRB) — conta, cartão e investimento num app só. Boa escolha padrão para MEI de serviço.
- Especialistas em PJ (Cora, Conta Simples) — nasceram para empresa, não são versão PJ de um app de pessoa física. Costumam ter cobrança e organização de despesa mais maduras.
- Adquirentes com conta (Stone, PagBank) — a força está na maquininha e na aceitação. Faz sentido quando a venda no cartão é o centro do negócio.
- Ligadas a marketplace (Mercado Pago) — vantagem real de integração para quem vende dentro do ecossistema.
- Plataformas de cobrança (Asaas e similares) — foco em boleto, Pix e recorrência automatizada; indicadas para mensalidade e faturamento por prazo.
Uma dica que economiza dor de cabeça: é permitido e comum ter mais de uma conta PJ. Muitos negócios usam uma para receber (integrada ao canal de venda) e outra para operar e pagar. Não há limite legal para isso.
💳 A maquininha é onde o dinheiro vaza
Se você vende no cartão, esta seção vale mais que todo o resto do artigo. A conta é simples: uma tarifa mensal de R$ 50 custa R$ 600 por ano — enquanto meio ponto percentual de diferença na taxa de débito, para quem fatura R$ 20 mil por mês no cartão, custa R$ 1.200 por ano. O item que ninguém compara é o dobro do item que todo mundo compara.
Ao avaliar a maquininha que vem com a conta, olhe quatro coisas, nesta ordem:
- Taxa de débito e de crédito à vista. São as duas mais usadas no dia a dia e as que definem sua margem.
- Taxa de crédito parcelado, faixa por faixa. Ela sobe conforme o número de parcelas, e é comum a comunicação destacar só a primeira faixa.
- Prazo de recebimento. Receber em 1 dia útil ou em 30 muda o seu capital de giro — e antecipar tem custo.
- Condição de aluguel do equipamento e o que acontece se o volume de vendas cair abaixo de um mínimo.
Taxa de maquininha é negociável, especialmente com volume comprovado. Chegar com três meses de extrato e uma proposta concorrente na mão costuma render mais desconto do que trocar de banco.
📌 MEI precisa de conta PJ separada?
Não é uma obrigação legal para o MEI usar conta empresarial, mas na prática é altamente recomendável — e por motivos concretos, não por formalidade:
- Você vai precisar provar faturamento. Para acompanhar o limite anual de R$ 81 mil, preencher a declaração anual e pedir crédito, extrato misturado com gasto pessoal transforma uma tarefa de minutos em um garimpo.
- Emissão de nota e recebimento no mesmo lugar reduz erro de conciliação.
- Separação protege você. Misturar dinheiro pessoal e da empresa é o hábito que faz o MEI perder a noção da própria margem — o problema mais comum de quem se formaliza.
Vale lembrar o que define o enquadramento: ocupação permitida, no máximo um empregado, não ser sócio ou titular de outra empresa e faturar até R$ 81 mil por ano (proporcional no ano de abertura). Passar do teto gera desenquadramento, com recolhimento da diferença.
📲 Como abrir (e o que costuma travar)
- Tenha o CNPJ ativo e os dados do titular em mãos.
- Baixe o app na versão PJ — em vários bancos é um aplicativo diferente do de pessoa física.
- Informe CNPJ, atividade e dados do responsável.
- Envie documento com foto e selfie de validação.
- Aguarde a análise, que pode ser de minutos a alguns dias.
O que mais atrasa aprovação: dados do CNPJ desatualizados na Receita, atividade principal que a instituição não atende, endereço divergente e sócio com restrição. Antes de abrir, confira se o cadastro do seu CNPJ está correto — é a causa mais banal de recusa.
🔄 Como migrar sem quebrar o recebimento
- Abra a nova antes de encerrar a antiga. Nunca o contrário.
- Redirecione os recebimentos novos e atualize a chave Pix informada aos clientes.
- Deixe os boletos já emitidos vencerem na conta antiga — boleto emitido não muda de banco.
- Cheque débitos automáticos presos à conta velha: DAS, assinatura de sistema, aluguel de maquininha.
- Só então encerre formalmente a conta antiga, e peça o comprovante de encerramento. Conta esquecida "sem uso" pode acumular tarifa e virar pendência no seu CNPJ.
Consultadas em 12/08/2026. Tarifa e condição de banco mudam com frequência — confirme na tabela de tarifas da instituição antes de abrir:
- Banco Central — tarifas bancárias: o que pode ser cobrado e como consultar a tabela de tarifas de cada instituição
- Portal do Empreendedor: condições do MEI, limite anual e declaração
- Banco Central — Regimes de Resolução: confira se a instituição não está em liquidação antes de confiar seu caixa a ela
- consumidor.gov.br: canal oficial para cobrança indevida ou encerramento não processado
Conclusão
Para MEI ou empresa pequena, pagar pacote mensal de banco tradicional deixou de fazer sentido — nisso o consenso está correto. Mas trocar de conta olhando só a palavra "grátis" é resolver o item mais barato da conta e ignorar o mais caro.
O roteiro que funciona: identifique como o seu dinheiro entra, compare o custo daquele caminho (taxa da maquininha, custo por boleto, antecipação), confira a tabela de tarifas oficial em vez da página de vendas, e mantenha a conta antiga viva até o último boleto vencer. A tarifa zero é o começo da comparação, não o fim.