Motoboy em 2026: o que iFood, 99Food, Rappi e Uber publicam sobre ganhos
Bicos e Freelas

Motoboy em 2026: o que iFood, 99Food, Rappi e Uber publicam sobre ganhos

Neste artigo

    Nenhuma plataforma de entrega publica "quanto se ganha por mês" no Brasil. O que existe publicado, na consulta de 6 de agosto de 2026, é isto: o iFood divulga uma taxa mínima de R$ 7,50 por entrega de moto ou carro e R$ 7,00 de bicicleta, mais R$ 1,50 por quilômetro rodado ou R$ 3,00 por entrega extra na mesma rota — o que for maior. O Uber Eats não faz entrega de restaurante no Brasil desde 7 de março de 2022. A 99 não divulga o valor por corrida do 99Food — informa apenas os fatores que compõem o preço. E não foi localizada, em página aberta do Rappi, tabela de valor por entrega. Fora isso, tudo que circula como "R$ X mil por mês" é relato, não dado da empresa. Esta página mostra a aritmética que dá para fazer só com o que é publicado — e marca, uma por uma, as lacunas.

    📋 O que está apurado aqui:
    • O que cada plataforma publica (e o que se recusa a publicar)
    • A taxa mínima do iFood e como ela vira ganho por hora
    • Custo de combustível por km com o preço da ANP
    • DAS do MEI e alíquotas do INSS em 2026
    • Por que ainda não existe piso legal por entrega

    Antes de tudo: o Uber Eats não entrega restaurante no Brasil

    Esta é a correção mais importante desta página. A Uber encerrou a entrega de pedidos de restaurante no Brasil em 7 de março de 2022, atribuindo a saída à concorrência do iFood. Comparativos que ainda colocam "Uber Eats" ao lado do iFood como opção ativa para entregador estão descrevendo um serviço que não existe mais no país.

    O que a Uber lista hoje na sua página oficial de entregas no Brasil são dois produtos de coleta e entrega de encomendas: Uber Envios e Uber Direct, em mais de 100 cidades. Aceita carro, moto (com EAR na CNH) ou bicicleta, e exige 18 anos, documento original fotografado e checagem de segurança. Sobre dinheiro, a Uber publica apenas o regime de repasse — semanal e automático para a conta bancária, com opção de antecipação — e que 100% das gorjetas ficam com o entregador. Nenhum valor por entrega é divulgado.

    O que cada plataforma publica sobre pagamento

    Item iFood Uber 99Food Rappi
    Entrega de restaurante no BrasilSimNão (encerrada 07/03/2022)Sim (retomada em 2025)Sim
    Valor mínimo por entrega publicadoR$ 7,50 moto/carro
    R$ 7,00 bike
    Não publicaNão publicaNão publica
    Adicional publicadoR$ 1,50/km ou R$ 3,00 por entrega extra na rota (o maior)Não publicaNão publicaNão publica
    Prazo de repasseSemanal (quarta, até 20h)SemanalNão publicaNão publica
    Comissão descontada do entregadorDeclara não cobrarNão publicaNão publicaNão publica
    Modalidades publicadasBike, moto, carroBike, moto, carroBike, moto, carro, a péNão publica em página aberta

    Levantamento de 6 de agosto de 2026 nas páginas oficiais de cada empresa. "Não publica" = a informação não foi localizada em página aberta da própria plataforma, não que ela inexista internamente.

    iFood: a única tabela pública de valor por entrega

    Desde 1º de junho de 2025, a taxa mínima do iFood é de R$ 7,00 para bicicleta e R$ 7,50 para moto e carro — antes, ambas eram R$ 6,50. Esse continua sendo o último reajuste publicado pela empresa até a data desta apuração.

    A empresa explica que a taxa mínima não é o valor da entrega: é um piso que arredonda para cima quando a rota calculada fica abaixo dele. O valor cheio é montado a partir da coleta, da entrega e da distância. Sobre esse cálculo entram os adicionais publicados: R$ 3,00 por entrega extra na mesma rota ou R$ 1,50 por quilômetro rodado, prevalecendo o maior dos dois.

    Outros pontos que o iFood publica e que mudam a conta:

    • Rotas de bicicleta são limitadas a 4 km.
    • Não há comissão cobrada do entregador. Os "cerca de 25%" que circulam em comparativos são a taxa cobrada do restaurante, não um desconto no repasse de quem entrega.
    • Ciclo de pagamento: os ganhos são apurados de segunda a domingo e o repasse sai na quarta-feira até as 20h; se a quarta for feriado, no próximo dia útil. Gorjeta entra no ciclo seguinte.
    • Seguro: cobertura de até R$ 120 mil em caso de invalidez permanente ou morte acidental.
    • Requisitos: 18 anos ou mais, documento de identidade e conta bancária no próprio CPF. Moto exige CNH A, carro exige CNH B, bicicleta exige apenas documento.

    O iFood também publica dois números de renda, e é importante não confundi-los: a empresa afirma que em 2025 os entregadores parceiros tiveram remuneração média de R$ 29 por hora trabalhada; e cita um estudo do Cebrap segundo o qual, para quem roda 40 horas semanais, a renda líquida mensal ficou entre R$ 2.669 e R$ 3.581 — com dados de 2024. São anos diferentes e definições diferentes (uma é média por hora, a outra é renda líquida mensal). Não dá para somar nem para tratar como a mesma medida.

    Da taxa mínima ao ganho por hora: a aritmética

    Como a taxa mínima é o único valor firme publicado, ela permite montar um piso honesto. A tabela abaixo é aritmética simples sobre R$ 7,50 (moto), sem adicional de km e sem gorjeta:

    Entregas concluídas em 1 hora Bruto na taxa mínima
    2 entregasR$ 15,00
    3 entregasR$ 22,50
    4 entregasR$ 30,00
    5 entregasR$ 37,50

    Confrontando com o número que o próprio iFood divulga: R$ 29 por hora dividido por R$ 7,50 dá 3,87. Ou seja, a média publicada pela empresa só fecha se o entregador concluir perto de quatro entregas por hora na taxa mínima — ou menos entregas, desde que boa parte das rotas passe dos 4 km e puxe o adicional de R$ 1,50 por quilômetro. Essa é a leitura que os dois números publicados sustentam juntos.

    R$ 29/h é média nacional divulgada pela plataforma, não garantia por hora conectada: o tempo com o app ligado sem oferta de rota entra na jornada, mas não no faturamento — e nenhuma plataforma publica sua taxa de ociosidade.

    Quanto custa rodar: combustível pelo preço oficial da ANP

    Na semana de 26 de julho a 1º de agosto de 2026, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) registrou preço médio nacional de revenda de R$ 6,56 por litro na gasolina comum e R$ 4,00 por litro no etanol hidratado.

    O consumo varia muito de moto para moto, e não existe tabela oficial do Inmetro de consumo de motocicletas equivalente à de carros — o número correto está na ficha técnica do seu modelo. Por isso a tabela abaixo não chuta um consumo: ela mostra o custo por quilômetro em função do que a sua moto realmente faz, usando o preço da ANP.

    Rendimento da moto (gasolina) Custo por km a R$ 6,56/L Custo em 100 km
    20 km/lR$ 0,33R$ 32,80
    25 km/lR$ 0,26R$ 26,24
    30 km/lR$ 0,22R$ 21,87
    35 km/lR$ 0,19R$ 18,74
    40 km/lR$ 0,16R$ 16,40

    Exemplo aritmético: uma hora em que se roda 25 km com uma moto que faz 30 km/l custa 25 × R$ 0,22 = R$ 5,47 de combustível. Sobre os R$ 29/h que o iFood publica, sobram cerca de R$ 23,50 — antes de manutenção, seguro, INSS e depreciação da moto.

    Gasolina ou etanol? Com os preços da ANP dessa semana, a conta de corte é R$ 4,00 ÷ R$ 6,56 = 0,61. O etanol só sai mais barato por quilômetro se a sua moto fizer, com etanol, pelo menos 61% dos km/l que faz com gasolina. Abaixo disso, o litro mais barato produz o quilômetro mais caro. Os preços da ANP mudam toda semana e variam bastante por estado — refaça a divisão com o preço do seu posto.

    MEI e INSS: o custo que não vem descontado na folha

    Entregador de aplicativo é trabalhador autônomo: não há desconto de INSS na origem. Se ele não recolher por conta, não há contribuição — e, portanto, não há auxílio-doença, salário-maternidade nem tempo contando para aposentadoria. A atividade cabe no MEI pelo CNAE 5320-2/02 (serviços de entrega rápida), que cobre transporte de pequenos volumes, documentos, encomendas e refeições. Com o salário mínimo de R$ 1.621,00 em 2026, o DAS ficou assim:

    Componente Valor em 2026
    INSS (5% do salário mínimo)R$ 81,05
    ISS (serviços, valor fixo)R$ 5,00
    ICMS (comércio, valor fixo)R$ 1,00
    DAS de quem presta serviço de entregaR$ 86,05/mês

    Na média de R$ 29/h publicada pelo iFood, menos de três horas conectadas por mês pagam o DAS inteiro (R$ 86,05 ÷ R$ 29 = 2,97 h). É o item mais barato da operação de um entregador — e o único que devolve cobertura previdenciária.

    Quem não abre MEI e recolhe como contribuinte individual paga bem mais pelo mesmo mínimo: R$ 178,31 no plano simplificado (11% do salário mínimo) ou a partir de R$ 324,20 no plano completo (20%), até o teto de contribuição de R$ 1.695,11, correspondente ao teto do salário de contribuição de R$ 8.475,55 em 2026.

    O teto do MEI limita o discurso do "R$ 7 mil por mês"

    O limite de faturamento do MEI segue em R$ 81.000 por ano em 2026 — nenhum aumento foi sancionado até a data desta apuração. Isso dá R$ 6.750 por mês em média. Faturar acima disso na média de R$ 29/h exigiria cerca de 233 horas conectadas por mês, o equivalente a quase 54 horas por semana. Quem passa do teto precisa migrar de regime — e comparativos que prometem R$ 6.500 a R$ 9.500 mensais estão descrevendo, sem dizer, uma jornada que estoura o enquadramento.

    Ainda não existe piso legal por entrega no Brasil

    O PLP 152/2025, de autoria do deputado Luiz Gastão (PSD/CE), "regula os serviços de transporte remunerado privado individual de passageiros e de coleta e entrega de bens prestados pelas empresas operadoras de plataforma digital" — ou seja, inclui expressamente entregadores por aplicativo. O relator Augusto Coutinho apresentou parecer favorável em 7 de abril de 2026, e a proposta está pronta para pauta na comissão especial. Não foi votada em Plenário até 6 de agosto de 2026.

    A consequência prática é direta: o valor mínimo por entrega hoje é decisão comercial de cada empresa, não obrigação legal. Os R$ 7,50 do iFood podem mudar quando a empresa decidir, e as demais plataformas não estão obrigadas a publicar nem a praticar piso nenhum. A garantia de taxa mínima é justamente um dos pontos em disputa na tramitação.

    O que nenhuma plataforma publica (e por que isso importa)

    Esta é a parte que a maioria dos comparativos preenche com chute. Até a data desta apuração, nenhuma das quatro empresas divulga:

    • Ganho médio mensal por cidade. O iFood divulga média nacional por hora; nada por praça.
    • Quantidade de rotas ofertadas por hora conectada — o número que de fato determina o faturamento.
    • Taxa de ociosidade: quanto tempo o app fica ligado sem oferta.
    • Critério de alocação de rotas entre entregadores da mesma região.
    • Valor por entrega da 99Food, do Rappi e da Uber. A 99, questionada pela imprensa, afirmou que o modelo foi desenhado para "incentivar o uso contínuo da plataforma ao longo do dia" combinando transporte de passageiros, entrega de objetos e delivery, e listou apenas os fatores de precificação: distância, horário de pico e tipo de veículo.

    Quando um site apresenta "R$ 40 a R$ 70 por hora" ou "R$ 6.500 a R$ 9.500 por mês" sem citar de onde tirou, é porque a origem desses números não é a plataforma. Podem ser relatos verdadeiros de entregadores específicos, em cidades específicas, em semanas específicas — o que não é a mesma coisa que dado apurável.

    Resumo da conta

    Com o que é publicado, a estrutura de uma hora de entrega de moto no iFood fica assim: piso de R$ 7,50 por rota, média divulgada de R$ 29/h, cerca de R$ 5,50 de combustível se rodar 25 km a 30 km/l e R$ 86,05 mensais de DAS se for MEI. Todo o resto — quantas rotas vão aparecer, em que bairro, com que espera no restaurante — não é publicado por ninguém, e é exatamente o que decide se o mês fecha bem ou mal. Use a taxa mínima como piso de decisão, anote seus próprios km rodados e horas conectadas por duas semanas e só então projete o mês: seu registro é o único dado por praça que existe.

    📚 Fontes desta página

    Todos os links foram consultados em 6 de agosto de 2026. Taxas, preços e alíquotas mudam — confira na origem antes de usar em decisão.

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    Perguntas frequentes

    R$ 7,50 para moto e carro e R$ 7,00 para bicicleta, valores que valem desde 1º de junho de 2025 e continuam sendo o último reajuste publicado pela empresa até 6 de agosto de 2026. Sobre esse piso entram os adicionais: R$ 3,00 por entrega extra na mesma rota ou R$ 1,50 por quilômetro rodado, prevalecendo o maior dos dois. A taxa mínima não é o valor da entrega — é o piso que arredonda a rota para cima quando o cálculo fica abaixo dele.
    Não. A Uber encerrou a entrega de pedidos de restaurante no Brasil em 7 de março de 2022. O que a empresa lista hoje na sua página oficial de entregas no país são Uber Envios e Uber Direct, ambos de coleta e entrega de encomendas, em mais de 100 cidades, com repasse semanal automático para a conta bancária. A Uber não publica valor por entrega.
    O iFood publica que em 2025 os entregadores parceiros tiveram remuneração média de R$ 29 por hora trabalhada. Separadamente, a empresa cita estudo do Cebrap com renda líquida mensal de R$ 2.669 a R$ 3.581 para quem roda 40 horas semanais, com dados de 2024. São medidas diferentes, de anos diferentes, e nenhuma das duas é garantia por hora conectada — o tempo com o app ligado sem oferta de rota não gera faturamento.
    A 99 não divulga o valor por corrida do 99Food. A empresa informa apenas os fatores que compõem o preço — distância da entrega, horário (pico ou não) e tipo de veículo (bicicleta, moto, carro ou a pé) — e afirma que o modelo foi desenhado para incentivar o uso contínuo da plataforma ao longo do dia, combinando transporte de passageiros, entrega de objetos e delivery.
    Não. O iFood declara publicamente que não cobra comissão dos entregadores parceiros. Os "cerca de 25%" que aparecem em muitos comparativos são a taxa cobrada do restaurante, não um desconto no repasse de quem entrega. Confundir as duas coisas infla artificialmente a vantagem aparente de trabalhar como motoboy autônomo.
    Depende do rendimento da sua moto. Com a gasolina comum a R$ 6,56 por litro — preço médio nacional da ANP na semana de 26/07 a 01/08/2026 — o custo é de R$ 0,33/km a 20 km/l, R$ 0,22/km a 30 km/l e R$ 0,16/km a 40 km/l. Uma hora rodando 25 km a 30 km/l custa cerca de R$ 5,47 de combustível. Sobre etanol: a R$ 4,00 o litro, ele só compensa se a moto fizer pelo menos 61% dos km/l que faz com gasolina (R$ 4,00 ÷ R$ 6,56 = 0,61).
    Não é obrigatório, mas é o regime mais barato com cobertura previdenciária. A atividade cabe no MEI pelo CNAE 5320-2/02 (serviços de entrega rápida). Em 2026, com o salário mínimo de R$ 1.621, o DAS de quem presta serviço é de R$ 86,05 por mês (R$ 81,05 de INSS, que são 5% do mínimo, mais R$ 5,00 de ISS). Sem MEI, o contribuinte individual paga R$ 178,31 no plano simplificado de 11% ou a partir de R$ 324,20 na alíquota de 20%. O teto de faturamento do MEI segue em R$ 81.000 por ano, equivalente a R$ 6.750 por mês.
    O repasse é semanal. Os ganhos são apurados de segunda a domingo e o pagamento sai na quarta-feira seguinte até as 20h; se a quarta for feriado, cai no próximo dia útil. Gorjetas entram no ciclo de repasse seguinte. É necessário ter conta bancária no próprio CPF do entregador.
    Jeff Bruno

    Jeff Bruno

    Editor responsável do Ganhe Recompensa. Gerente de e-commerce há 5 anos em uma grande operação de varejo, desenvolvedor sênior full-stack e gestor de Google Ads. Vive de renda online do outro lado do balcão: monetiza os próprios sites com AdSense e Adsterra, faz YouTube há 3 anos com monetização, e opera SaaS em produção com clientes pagantes. Programa desde os 10 anos; no digital profissionalmente desde os 18. Curitiba/PR.

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