Mercado Livre ou Shopee: qual paga mais ao vendedor? A conta e a resposta de quem operou os dois
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Mercado Livre ou Shopee: qual paga mais ao vendedor? A conta e a resposta de quem operou os dois

Neste artigo

    Resposta direta: quem deixou mais dinheiro no fim do mês, na operação de varejo que este site descreve, foi a Shopee — e o motivo foi a comissão. Só que essa resposta tem data: a operação rodou num regime tarifário que não existe mais. Até 28 de fevereiro de 2026 a Shopee limitava a comissão percentual por item a um teto de R$ 100; desde 1º de março de 2026 a tabela dela é por faixa de valor e não traz teto nenhum.

    E pela tabela que vale hoje? Aí quem cobra menos em percentual é o Mercado Livre — 10% a 14% no Clássico e 15% a 19% no Premium, contra 20% + R$ 4 até R$ 79,99 e 14% mais R$ 16 a R$ 26 acima disso na Shopee (consulta às duas fontes em 06/08/2026). Só que a comissão do Mercado Livre não é o custo do Mercado Livre: acima de R$ 79 o frete grátis é bancado pelo vendedor, abaixo de R$ 79 existe um custo por unidade que não sai em tabela fechada, e publicidade, Full e "Minha página" ficam fora da estimativa de recebimento. Fizemos a conta lado a lado em três preços: a vantagem nominal do Mercado Livre fica entre R$ 4,50 e R$ 42,00 por venda — quase sempre o tamanho de um frete. É por isso que a conta de uma venda e a conta de um mês inteiro podem apontar para lados diferentes — e este artigo faz as duas, com o ponto de equilíbrio que você consegue calcular sozinho.

    📋 O que este texto entrega:
    • A mesma venda simulada nas duas plataformas, em R$ 50, R$ 150 e R$ 400
    • O ponto de equilíbrio: quanto o frete precisa custar para o Mercado Livre perder
    • Por que só uma das duas permite saber o resultado antes de anunciar
    • A regra de devolução que muda a conta e não aparece em percentual nenhum
    • O teto de R$ 100 que a Shopee tinha e perdeu em março de 2026
    • Qual canal deixou mais dinheiro no fim do mês na operação real — e por que a tabela discorda
    🔎 Transparência editorial

    O autor deste site é gerente de e-commerce há 5 anos e coordenou os marketplaces de uma grande operação de varejo: 3 anos vendendo no Mercado Livre e 3 anos vendendo na Shopee. Tudo que vem dessa vivência aparece identificado como "Experiência de operação", em blocos separados, e nunca misturado com o que as plataformas publicam. Onde existe número oficial, é o número oficial que vale. Veja a nossa metodologia editorial.

    🧮 A mesma venda nas duas plataformas

    Para a comparação valer, tem que ser o mesmo produto, do mesmo vendedor, ao mesmo preço. Abaixo está a aritmética direta sobre as duas tabelas publicadas, em três preços que caem em faixas diferentes da Shopee.

    O lado da Shopee é um número fechado, porque a comissão dela é definida por faixa de valor do item e a taxa de transação já está embutida. O lado do Mercado Livre é uma faixa, porque a tarifa de venda dele varia por categoria do produto — mostramos o melhor caso (Clássico a 10%) e o pior (Premium a 19%).

    Preço do produto Comissão Shopee Sobra na Shopee Sobra no Mercado Livre
    R$ 50,00
    faixa até R$ 79,99
    20% + R$ 4
    R$ 14,00
    R$ 36,00
    28,0% de custo
    R$ 40,50 a R$ 45,00
    só a tarifa de venda
    R$ 150,00
    faixa R$ 100–199,99
    14% + R$ 20
    R$ 41,00
    R$ 109,00
    27,3% de custo
    R$ 121,50 a R$ 135,00
    só a tarifa de venda
    R$ 400,00
    faixa R$ 200–499,99
    14% + R$ 26
    R$ 82,00
    R$ 318,00
    20,5% de custo
    R$ 324,00 a R$ 360,00
    só a tarifa de venda

    Aritmética da nossa redação sobre as tabelas publicadas pelas duas plataformas, consultadas em 06/08/2026. Não é dado divulgado por Shopee ou Mercado Livre. Não considera frete, subsídios, impostos nem o custo da sua operação.

    Olhando só essa tabela, o Mercado Livre ganha nos três preços. E é aqui que quase todo comparativo do nicho para de pensar — e erra.

    ⚖️ O ponto de equilíbrio: quanto o frete precisa custar

    A coluna do Mercado Livre está incompleta de propósito, porque a própria plataforma publica que ela é incompleta. Três custos oficiais ficam de fora dela:

    • Acima de R$ 79 em produto novo, quem oferece o frete grátis é o vendedor (com reduções conforme a reputação). Entre R$ 19 e R$ 78,99 com entrega padrão, quem banca é o Mercado Livre; abaixo de R$ 19, o frete grátis é opcional e o custo é seu.
    • Abaixo de R$ 79 existe um custo por unidade que não sai em tabela fechada nas páginas de ajuda: o valor é calculado por peso e dimensões do pacote e aparece dentro do próprio anúncio. Sem simular o seu produto, ninguém — inclusive nós — pode publicar esse número.
    • Publicidade, Full e a tarifa de "Minha página" (R$ 99 por mês) ficam fora da estimativa de quanto você recebe por venda, e aparecem no faturamento mensal à parte.

    Então a pergunta certa não é "quem cobra menos", é quanto esses custos precisam somar para o Mercado Livre empatar com a Shopee. Isso é subtração simples, e dá um número por preço:

    Preço Vantagem do ML no melhor caso
    Clássico a 10%
    Vantagem do ML no pior caso
    Premium a 19%
    R$ 50,00R$ 9,00R$ 4,50
    R$ 150,00R$ 26,00R$ 12,50
    R$ 400,00R$ 42,00R$ 6,00

    Aritmética da nossa redação: diferença entre o que sobra no Mercado Livre e o que sobra na Shopee, pelas tabelas oficiais. É o valor que o frete grátis mais o custo por unidade precisam consumir para as duas contas empatarem.

    Leia essa tabela como um limite, não como um placar. Num produto de R$ 400 anunciado no Premium de uma categoria cara, basta o frete grátis custar mais de R$ 6,00 para o Mercado Livre pagar menos que a Shopee. Num produto de R$ 150, o limite é R$ 12,50. Qualquer pessoa que já despachou um pacote médio no Brasil sabe onde isso costuma terminar.

    E note a inversão: no preço mais alto da tabela, onde o percentual do Mercado Livre parece mais confortável, a folga em reais é a menor de todas no pior caso. Isso acontece porque a taxa fixa da Shopee para de crescer em R$ 26 enquanto o percentual do Mercado Livre continua acompanhando o preço. Quanto mais caro o produto, mais a comissão percentual pesa e menos a taxa fixa importa.

    Existe ainda uma armadilha só da Shopee que muda o resultado no ticket baixo: nas bordas de faixa, subir R$ 0,01 no preço reduz o que sobra. Um item a R$ 80,00 deixa R$ 7,19 a menos que a R$ 79,99, e só empata de novo a partir de R$ 88,36. Detalhamos as três zonas mortas em como vender na Shopee em 2026.

    🕰️ O teto de R$ 100 que a Shopee tinha — e perdeu em 2026

    Esse ponto pede uma nota histórica, porque ele explica quase todo comparativo desatualizado que circula por aí — e explica também o relato de operação que aparece no fim deste artigo. Até 28 de fevereiro de 2026, não era só a taxa fixa da Shopee que parava de crescer: a comissão inteira parava. A plataforma aplicava um teto de R$ 100 de comissão percentual por item, somado a uma taxa fixa de R$ 4 que valia para qualquer preço. Chegava no teto e não passava dali, por mais caro que fosse o produto.

    A Shopee comunicou o fim desse limite aos vendedores em fevereiro de 2026, com vigência a partir de 1º de março de 2026 — a mesma mudança que trocou a taxa fixa única de R$ 4 pela escada de R$ 4 a R$ 26 por faixa de preço. Desde então todas as lojas seguem a tabela única por faixa de valor, e a tabela vigente não menciona teto nenhum.

    Em ticket baixo isso quase não aparece. Em ticket alto, muda o jogo inteiro. O mesmo item de R$ 1.000 nos dois regimes:

    Item de R$ 1.000 Comissão percentual Taxa por item Total
    Shopee até 28/02/2026
    regime com teto
    14% daria R$ 140,
    limitada a R$ 100
    R$ 4R$ 104
    Shopee desde 01/03/2026
    regime vigente
    14% = R$ 140,
    sem teto
    R$ 26R$ 166
    Mercado Livre
    só a tarifa de venda
    10% a 19% conforme
    categoria e tipo de anúncio
    R$ 100 a R$ 190

    Como apuramos: a tabela vigente publicada pela Shopee não traz teto de comissão — foi o que verificamos na central do vendedor em 06/08/2026, nas fontes ao final. Já o valor do teto antigo e a data em que ele caiu vêm da cobertura especializada da mudança, publicada em fevereiro e março de 2026 e também linkada nas fontes: a Shopee não mantém publicada na central do vendedor a regra que revogou, então não foi possível conferir o texto original dela na fonte primária. Os totais da tabela são aritmética da nossa redação.

    Leia a última linha junto com as duas primeiras. No regime antigo, um item de R$ 1.000 custava R$ 104 na Shopee — menos que qualquer anúncio Premium do Mercado Livre e praticamente empatado com o melhor caso do Clássico, e isso antes de somar o frete grátis, que acima de R$ 79 sai do bolso do vendedor no lado do Mercado Livre. Hoje o mesmo item custa R$ 166, já dentro da faixa do Premium. A vantagem da Shopee em ticket alto não encolheu: ela deixou de existir.

    Duas consequências práticas. A primeira: qualquer comparativo escrito antes de março de 2026 — inclusive relato de quem operou naquela época — descreve uma Shopee que não está mais no ar em ticket alto. A segunda: a economia da Shopee hoje está concentrada no ticket baixo e médio, exatamente onde a taxa fixa é pequena perto do preço e onde o percentual do Mercado Livre ainda precisa dividir espaço com o frete grátis.

    🔮 A diferença que decide antes de vender: previsibilidade

    Reduzir tudo a "quem cobra menos" esconde a assimetria mais prática entre os dois canais.

    Na Shopee, você sabe o resultado antes de anunciar. A comissão é uma função do preço: escolheu o preço, sabe o centavo que sobra. A taxa de transação já está dentro, e não há tarifa de pagamento por fora.

    No Mercado Livre, você só sabe depois de simular. A tarifa depende da categoria — a plataforma mantém uma página para você buscar a sua e conferir o percentual exato, e mostra o recebimento estimado dentro do anúncio antes de publicar. O frete depende do peso e da cubagem. E o Mercado Livre remede e repesa o pacote depois do despacho: se a medida real for maior que a declarada, isso não muda a venda que já saiu, mas encarece as próximas.

    Para quem tem catálogo de dezenas de SKUs com pesos diferentes, isso não é detalhe: é a diferença entre precificar com uma fórmula e precificar item a item. Não use percentual de blog para definir preço, inclusive o nosso — use o simulador da categoria e o recebimento estimado do próprio anúncio.

    🏷️ Experiência de operação — o que cada canal parecia por dentro

    Shopee: as taxas são muito melhores, sem sombra de dúvida. Essa é a vantagem estrutural dela, e não é pequena. Não tivemos experiências ruins ali; paramos por estratégia própria, não por problema da plataforma.

    Mercado Livre: o perfil de pagamento é melhor — ticket maior, comprador que gasta mais. Porém o custo de manter a operação na plataforma é muito mais caro.

    Relato do editor, 3 anos coordenando cada canal numa operação de varejo. Não substitui a fonte oficial: é a leitura de um nicho específico, não média de mercado.

    Vale registrar a tensão, porque ela é real e informativa: a tabela diz que o percentual do Mercado Livre é menor, e a operação sentiu o contrário. As duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo, e o resto deste artigo é a ponte entre elas. Ela tem três vãos: o que está dentro do percentual, o que acontece na devolução, e o que a plataforma não cobra mas o negócio cobra.

    🔁 Devolução: a regra que não aparece em percentual nenhum

    Este é o vão mais subestimado, e é oficial dos dois lados:

    • Shopee: a comissão não é cobrada em cancelamento, devolução, reembolso ou desistência da compra. Se o vendedor receber algum valor como compensação numa disputa, aí sim a comissão incide sobre o valor recebido.
    • Mercado Livre: a tarifa de venda é reembolsada somente se a operação for cancelada.

    Traduzindo para a conta: num canal onde a comissão volta, cada devolução queima margem uma vez, no produto que retorna. Num canal onde ela não volta fora do cancelamento, queima duas — o produto e a tarifa. Numa operação com 5% de devolução, essa regra sozinha vale mais que dois pontos percentuais de comissão, e nenhum comparativo de tabela mostra isso.

    🏷️ Experiência de operação — devolução nos dois canais

    Na Shopee acontece muita devolução, bem mais do que estávamos acostumados. Mesmo assim o fluxo é tranquilo e nunca virou um problema operacional.

    No Mercado Livre, devolução é um problema. Antigamente, as contestações travavam a conta de pagamento até serem resolvidas — e dinheiro parado, numa operação que gira com boleto, é problema imediato.

    Relato do editor a partir da operação. É o observado naquele nicho, não regra publicada pelas plataformas.

    Repare no cruzamento: o canal que devolve mais é o que cobra menos por devolver, e o que devolve menos é o que cobra mais. Não é coincidência de sorte — é desenho de plataforma, e é a razão pela qual "taxa de devolução" e "custo de devolução" precisam ser duas linhas separadas na sua planilha.

    💳 Ticket e prazo: onde o Mercado Livre cobra caro e entrega

    Seria desonesto reduzir o Mercado Livre ao custo. Duas coisas que ele publica e que valem dinheiro:

    • Parcelamento. O Clássico não oferece parcelamento; o Premium oferece até 10x sem juros, com o número de parcelas dependendo do valor do produto e do meio de pagamento do comprador. Em ticket alto, parcelar é o que faz a venda existir — e é exatamente por isso que o Premium custa 15% a 19%.
    • Liberação do dinheiro. Vendendo com Envios do Mercado Livre e com o produto entregue, o valor fica disponível em 5 dias para vendedor com reputação vendendo produto novo, e em 9 dias para produto usado ou vendedor sem reputação.
    🏷️ Experiência de operação — o que funcionava muito bem

    A questão das agências de coleta do Mercado Livre é muito prática e bem tranquila, e os prazos de envio são muito bons. Na Shopee o envio também é tranquilo: o fluxo funciona e o despacho diário não virou gargalo em nenhum dos dois.

    Relato do editor, 3 anos operando cada canal.

    Isso muda o que a aritmética responde. A conta lado a lado diz quanto sobra por venda. Ela não diz quantas vendas cada canal entrega, nem de que tamanho. Um canal que deixa menos por pedido mas parcela em 10x pode fechar o mês na frente de outro que deixa mais e não parcela — e é por isso que a resposta de "qual paga mais" muda com o seu produto, não com a sua opinião sobre as plataformas.

    🧾 A conta da plataforma não é a conta do negócio

    O terceiro vão é o maior, e nenhuma das duas plataformas cobra por ele: é o seu custo de existir.

    🏷️ Experiência de operação — a conta fechada

    Você tem que somar sua operação como um todo: custo de nota fiscal, custo de manter o local funcionando, funcionário, gasolina, conserto do veículo. Tem todo um ecossistema por trás, e ele não aparece em extrato de marketplace nenhum.

    Foi o que fez a nossa operação desistir do nicho: sobrava de 1% a 5% de lucro real. Isso é quase nada.

    Relato do editor, 3 anos coordenando o canal numa operação de varejo. Não substitui a fonte oficial: é o que a conta mostrou naquele nicho, não uma média de mercado.

    Com folga de 1% a 5%, uma diferença de R$ 6,00 por venda entre um canal e outro deixa de ser detalhe: ela é da ordem de grandeza do lucro inteiro. É esse o motivo pelo qual comparar comissão sem comparar frete, devolução e custo fixo do negócio produz decisões erradas com números certos.

    Um lembrete que corrige o erro mais repetido do nicho: o MEI não paga percentual por venda. Paga o DAS, um valor mensal fixo — R$ 82,05 no comércio, R$ 86,05 em serviços e R$ 87,05 em ambos, com o salário mínimo de 2026. Ele não acompanha o faturamento, o que significa que mês fraco dói mais do que a planilha sugere. Detalhamos em quanto custa manter um MEI em 2026.

    🏷️ Experiência de operação — a dinâmica que existe nos dois

    Dentro das duas plataformas, as empresas que vivem de marketplace derretem preço quando o produto para em estoque. E como compram em volume altíssimo, quebram qualquer um numa queda de braço de preço.

    O que quase ninguém percebe é que nem eles ganham lucro direito. Também precisam pagar as contas, e giro parado é caro para todo mundo.

    Leitura de mercado do editor, formada na operação. É análise, não dado publicado pelas plataformas.

    A consequência para a escolha de canal é direta: trocar de plataforma não resolve categoria em que a sua única arma é preço. Se o concorrente derrete preço no Mercado Livre, ele derrete na Shopee também. A diferença de R$ 6,00 a R$ 42,00 por venda que calculamos acima some no primeiro round dessa disputa.

    🏷️ Experiência de operação — e anúncio pago compensa a diferença?

    No nosso caso não. Fiz diversos testes de campanha e o retorno foi pouco, porque os anúncios no nosso nicho eram muito competitivos. Foquei no que dava resultado: volume de cadastro igual a volume de venda.

    Relato do editor num nicho técnico e disputado. Não é regra universal — em categoria com menos disputa, campanha pode se comportar de outro jeito.

    Detalhamos esse teste e o resto do custo de operar o canal em vender no Mercado Livre em 2026 vale a pena.

    ✅ Então qual paga mais?

    Existem duas respostas honestas aqui, e elas não são a mesma coisa: a resposta do item e a resposta do mês. Comece pela do item, que é a que as tabelas sustentam:

    • Na tarifa isolada, o Mercado Livre. Em R$ 50, R$ 150 e R$ 400, sobra de R$ 4,50 a R$ 42,00 a mais por venda.
    • Nessa mesma conta, a vantagem é pequena o bastante para virar com um frete. Acima de R$ 79 o frete grátis é seu, e o ponto de equilíbrio no pior caso é R$ 4,50, R$ 12,50 e R$ 6,00 nos três preços.
    • Na devolução, a Shopee. Comissão não cobrada em devolução contra reembolso só em cancelamento.
    • Na previsibilidade, a Shopee. É a única em que dá para saber o resultado antes de anunciar.
    • No ticket e no parcelamento, o Mercado Livre. Até 10x sem juros no Premium, e um comprador que gasta mais.

    Repare que ninguém ganha nos cinco. Quem responde "é a plataforma X" está respondendo uma pergunta mais fácil do que a que você fez — porque a resposta por venda depende de três coisas suas: o preço do seu produto, o peso do seu pacote e a sua taxa de devolução. Com esses três números você resolve a conta em cinco minutos usando as tabelas acima.

    E a resposta do mês?

    Essa a aritmética não alcança, porque ela não é feita de uma venda: é feita de todas as vendas, mais tudo o que acontece entre elas. Aqui ela vem de quem fechou o mês nos dois canais.

    🏷️ Experiência de operação — qual deixou mais dinheiro no fim do mês

    O que mais deixou dinheiro no fim do mês foi a Shopee, e o motivo foi a comissão: a taxa era muito reduzida perto do que se pagava do outro lado. No regime que valia enquanto a operação rodava, existia um limite máximo de comissão por item — chegava nele e parava. Em produto caro, isso dava pau no Mercado Livre.

    Com a ressalva que o próprio relato pede: esse limite não existe mais. A operação viveu um regime tarifário que a Shopee encerrou depois. O número, a data e a fonte estão na seção sobre o teto, acima — fora deste bloco, porque aqui não entra número de plataforma.

    Relato do editor, 3 anos coordenando cada canal numa grande operação de varejo, em regime tarifário anterior a março de 2026. Não substitui a fonte oficial: é o resultado de um nicho específico, não média de mercado.

    As duas respostas parecem brigar e não brigam. A tabela mede uma venda; a operação mede um mês. Quatro coisas explicam a diferença, e nenhuma delas é opinião:

    • A regra mudou. Boa parte da vantagem sentida vinha do teto de R$ 100, que valeu até 28/02/2026 e não existe mais. Uma parte daquele relato é, literalmente, memória de uma tabela morta — e está identificada como tal de propósito.
    • Mix de ticket. A simulação usa três preços; uma operação vende milhares de pedidos numa distribuição. Se o grosso do volume cai nas faixas em que a Shopee é mais barata, o mês segue o grosso, não a média dos três exemplos.
    • Devolução. A conta por item supõe a venda concluída. Numa operação real, parte não conclui — e a Shopee não cobra comissão em devolução, enquanto o Mercado Livre só reembolsa a tarifa em cancelamento. Isso não aparece em nenhuma das tabelas acima e aparece inteiro no extrato do mês.
    • Frete e custo fixo. A coluna do Mercado Livre na primeira tabela é só a tarifa de venda. No fechamento do mês, o frete grátis acima de R$ 79, a publicidade e a tarifa de "Minha página" já entraram — e é aí que a vantagem de R$ 4,50 a R$ 42,00 por venda evapora.

    Ou seja: a conta por item não estava errada, estava incompleta — e a operação inteira é justamente o que completa. Quem tem um produto e vende dez por mês decide pela primeira tabela. Quem tem catálogo e volume decide pelo mês. E quem está decidindo agora precisa fazer as duas contas com a tabela nova, não com a que produziu aquele resultado.

    🏷️ Opinião de operação — por onde eu começaria hoje

    Para iniciar em qualquer nicho de ticket baixo, até uns R$ 2.000, eu apostaria forte na Shopee — e agregaria o Mercado Livre também, não no lugar dela. Para quem está começando, a razão é a mesma de sempre: as taxas são melhores.

    O corte é por perfil de ticket, não por preferência. Foram 3 anos na Shopee e 3 anos no Mercado Livre, e não tenho o que reclamar de nenhum dos dois — foram testes. No nosso nicho não deu certo, e optamos por sair e ganhar mais vendendo no e-commerce próprio.

    Opinião formada em 3 anos de operação em cada plataforma, sem vínculo comercial com nenhuma delas. É opinião, não regra — e o corte de ticket é critério do editor, não uma faixa publicada por qualquer uma das duas.

    Essa recomendação e a tabela também não se contradizem, e vale explicar por quê. A tabela compara plataformas; a recomendação compara vendedores. Quem está começando ainda não sabe fazer a conta completa — não por descuido, mas porque só depois de dezenas de pedidos se aprende a somar embalagem, combustível, devolução e DAS no preço. E como você vai errar a margem, o melhor lugar para errar é onde o resultado é previsível e a devolução não cobra pedágio. A vantagem de R$ 6,00 por venda do outro canal não paga um erro de precificação. Acima do corte de ticket citado no bloco acima, com margem que comporte 15% a 19%, a conta merece ser refeita item a item — e é exatamente aí que o fim do teto da Shopee pesa mais.

    Antes de decidir, faça três coisas nesta ordem: busque a sua categoria na página de tarifas do Mercado Livre, simule o recebimento estimado dentro do próprio anúncio com o seu pacote real, e compare com o número fechado da faixa da Shopee. Se a diferença couber num frete, ela não é motivo para escolher canal. Se não couber, você acabou de achar a sua resposta — e ela é sua, não nossa.

    📚 Fontes desta página

    Consultado nas fontes oficiais das duas plataformas em 6 de agosto de 2026. Tarifa de marketplace muda sem aviso — confirme antes de precificar. O teto de R$ 100 de comissão da Shopee foi revogado e por isso não consta mais da central do vendedor: para essa regra extinta, as fontes são a cobertura especializada da mudança, listada abaixo.

    As duas tabelas de simulação são aritmética da nossa redação sobre os números publicados, não dado divulgado por Shopee ou Mercado Livre. Os trechos marcados como "Experiência de operação" são relato do editor, conforme a nossa metodologia editorial: experiência não substitui fonte, e onde a plataforma publica um número, é o número publicado que vale.

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    Perguntas frequentes

    São duas respostas diferentes. Por venda isolada, o Mercado Livre deixa mais na tarifa: pelas tabelas oficiais consultadas em 06/08/2026, num produto de R$ 50 sobram R$ 40,50 a R$ 45,00 contra R$ 36,00 da Shopee; em R$ 150, R$ 121,50 a R$ 135,00 contra R$ 109,00; em R$ 400, R$ 324,00 a R$ 360,00 contra R$ 318,00. Essa vantagem vai de R$ 4,50 a R$ 42,00 por venda e não inclui o frete grátis, que acima de R$ 79 é bancado pelo vendedor no Mercado Livre — um frete comum consome a diferença inteira. Já no fechamento do mês, a experiência de operação publicada neste artigo, identificada como relato do editor, aponta a Shopee, pela comissão menor. Com uma ressalva importante: aquela operação rodou no regime em que a Shopee limitava a comissão a R$ 100 por item, teto que a plataforma encerrou em 1º de março de 2026.
    Não existe mais. Até 28 de fevereiro de 2026 a Shopee limitava a comissão percentual a R$ 100 por item, além da taxa fixa de R$ 4 — um produto de R$ 1.000 pagava por volta de R$ 104 no total. A mudança foi comunicada aos vendedores em fevereiro de 2026 e passou a valer em 1º de março de 2026: desde então todas as lojas seguem a tabela única por faixa de valor, sem teto. O mesmo item de R$ 1.000 paga hoje 14% (R$ 140) mais R$ 26 de taxa por item, ou seja R$ 166. A tabela vigente publicada pela Shopee não menciona limite máximo de comissão.
    Em percentual, o Mercado Livre: de 10% a 14% no anúncio Clássico e de 15% a 19% no Premium, variando conforme a categoria do produto. A Shopee cobra por faixa de valor do item: 20% mais R$ 4 até R$ 79,99, 14% mais R$ 16 de R$ 80 a R$ 99,99, 14% mais R$ 20 de R$ 100 a R$ 199,99 e 14% mais R$ 26 acima de R$ 200, sem teto desde março de 2026. Só que na Shopee a taxa de transação já está embutida nesse valor, enquanto no Mercado Livre publicidade, Full e a tarifa de R$ 99 por mês da Minha página ficam fora da estimativa de recebimento.
    Pela nossa aritmética sobre as tabelas oficiais, no pior caso do Mercado Livre (Premium a 19%) o ponto de equilíbrio é R$ 4,50 num produto de R$ 50, R$ 12,50 num de R$ 150 e R$ 6,00 num de R$ 400. No melhor caso (Clássico a 10%) sobe para R$ 9,00, R$ 26,00 e R$ 42,00. Acima de R$ 79 em produto novo é o vendedor quem oferece o frete grátis, com reduções conforme a reputação, então esse custo entra inteiro na conta.
    O Mercado Livre reembolsa a tarifa de venda somente se a operação for cancelada. A Shopee publica que a comissão não é cobrada em cancelamento, devolução, reembolso ou desistência da compra, com a ressalva de que, se o vendedor receber algum valor como compensação numa disputa, a comissão incide sobre esse valor. Numa operação com devolução frequente, essa regra pesa mais na margem anual do que dois pontos percentuais de comissão — e é um dos motivos pelos quais a conta do mês pode dar um resultado diferente da conta de uma venda isolada.
    Na Shopee, sim: a comissão é uma função do preço, então escolhido o preço você sabe o valor exato que sobra. No Mercado Livre, não sem simular: a tarifa depende da categoria e o frete depende do peso e da cubagem do pacote. A plataforma mantém uma página para buscar a categoria e conferir o percentual, e mostra o recebimento estimado dentro do próprio anúncio antes de publicar. Além disso, o Mercado Livre remede e repesa o pacote após o despacho, o que pode encarecer as próximas vendas.
    Pode valer, mas não pelo motivo que costuma ser dado. Não existe percentual de ganho publicado por nenhuma das duas plataformas para quem opera em ambas, então trate qualquer número desse tipo como estimativa de blog. O que muda de fato é a estrutura de custo: preço, peso e taxa de devolução decidem em qual canal cada SKU rende mais. A opinião de operação publicada neste artigo vai nessa direção em ticket baixo — começar pela Shopee e agregar o Mercado Livre, em vez de escolher um só.
    O Mercado Livre. A plataforma oferece parcelamento em até 10x sem juros no anúncio Premium, com o número de parcelas dependendo do valor do produto e do meio de pagamento do comprador, enquanto o Clássico não oferece parcelamento. A Shopee concentra a compra na faixa de menor valor, que é justamente a de percentual nominal mais alto na tabela dela. Por isso a conta por venda não responde sozinha qual canal fecha o mês na frente: ela mede quanto sobra por pedido, não quantos pedidos vêm nem de que tamanho.
    A opinião de operação publicada neste artigo, identificada como tal e formada em 3 anos em cada canal, é começar pela Shopee em nicho de ticket baixo, até uns R$ 2.000, agregando o Mercado Livre em vez de trocar um pelo outro. O raciocínio é que quem começa ainda vai errar a margem, e o melhor lugar para errar é onde o resultado é previsível antes de anunciar e a devolução não cobra pedágio. Esse corte de ticket é critério do editor, não faixa publicada por nenhuma das duas plataformas. Em ticket alto, com margem que comporte 15% a 19%, a conta muda — e mudou ainda mais desde que a Shopee acabou com o teto de comissão, em março de 2026.
    Jeff Bruno

    Jeff Bruno

    Editor responsável do Ganhe Recompensa. Gerente de e-commerce há 5 anos em uma grande operação de varejo, desenvolvedor sênior full-stack e gestor de Google Ads. Vive de renda online do outro lado do balcão: monetiza os próprios sites com AdSense e Adsterra, faz YouTube há 3 anos com monetização, e opera SaaS em produção com clientes pagantes. Programa desde os 10 anos; no digital profissionalmente desde os 18. Curitiba/PR.

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