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Escrever textos por encomenda paga — mas quase nenhum guia em português publica o número que decide se vale a pena: quanto o mercado brasileiro realmente oferece por um texto, e quantas pessoas disputam cada vaga. Este guia levantou os dois, projeto por projeto, em 65 vagas de texto abertas em 20/08/2026 nas duas maiores plataformas de freelance do país — 28 na categoria "Tradução e conteúdos" da Workana, que publica a faixa de orçamento de cada projeto, e 37 na categoria "Escrita" da 99Freelas, onde dá para contar quantas propostas cada anúncio já recebeu — e mostra o caminho realista de quem começa sem cliente e sem portfólio.
A versão anterior deste texto trazia no título a promessa "do zero a R$ 5k/mês" e uma tabela de renda mensal por nível (R$ 1.000–2.500 para iniciante, R$ 12.000+ para sênior). Nenhum daqueles números tinha fonte — não vieram de tabela sindical, de plataforma nem de pesquisa, e a apuração feita agora indica que a faixa de entrada estava otimista. Tudo que estava sem origem foi removido. O que ficou abaixo ou tem documento linkado e datado, ou tem a conta aberta à vista.
A referência sindical nacional de preço para texto jornalístico no Brasil foi tirada do ar — o Cade abriu inquérito contra a Fenaj e 25 sindicatos em 2023 por suspeita de tabelamento, e entidades do grupo removeram as tabelas. O que restou é um mosaico regional: entre as que localizamos ainda no ar em 20/08/2026, a mais recente e a mais bem documentada é a do Sindicato dos Jornalistas do Pará, com R$ 124,73 por lauda de 1.400 caracteres — e ela não é a única, como mostram as tabelas de Juiz de Fora e do Norte do Paraná, com valores e até tamanho de lauda diferentes. Na prática do mercado aberto, a distância é grande: em 20/08/2026, 74% dos projetos de texto em português na Workana tinham teto de US$ 100 para o projeto inteiro. E na 99Freelas, o projeto mais típico de iniciante — escrever textos para blog — acumulava 635 propostas. Escrever paga; o que quase não paga é o serviço que qualquer pessoa consegue oferecer.
📌 O que este guia responde
- Por que a "tabela do sindicato" que todo mundo cita saiu do ar — e quais continuam publicadas
- Quanto é uma lauda, e quanto ela vale convertida para "por palavra"
- O que os clientes reais estavam oferecendo em 20/08/2026, faixa por faixa
- Quantas pessoas disputam cada tipo de vaga — o número que nenhuma plataforma coloca no anúncio
- Onde a demanda migrou: não é mais artigo de blog
- O caminho do zero: portfólio sem cliente, primeiros trabalhos, prazo até o primeiro pagamento
🏛️ A tabela que todo guia cita saiu do ar
Praticamente todo conteúdo em português sobre "quanto cobrar por um texto" manda o leitor consultar a tabela de preços do sindicato dos jornalistas. Essa orientação está desatualizada, e o motivo é documentado.
Em 2023, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu inquérito administrativo contra a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e 25 sindicatos filiados por suspeita de "violação das regras de concorrência" — a acusação é de que publicar preços mínimos para freelancers configura combinação de preços. As entidades sustentam que as tabelas são parâmetro de negociação, não imposição. Enquanto se defendem, parte das entidades retirou o material do ar.
Os próprios sindicatos publicaram o que aconteceu:
- O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo informa que removeu a tabela em junho de 2024, em texto publicado em 13/09/2024, alegando risco de multas que "poderiam significar a destruição das próprias entidades".
- O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal publicou o mesmo em 28/01/2025, dizendo que a defesa conjunta orientou a retirada para evitar sanções maiores.
- O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina ainda exibe o item "Tabela de Freelas" no menu do site, mas o link devolve erro 404 em consulta feita em 20/08/2026. O outro endereço da mesma página que continua respondendo abre sem nenhum valor publicado — só o título.
Consequência prática para quem vai cobrar: não existe mais um piso de referência oficial e nacional para redação no Brasil. Quem cita "o valor de tabela", no singular, está citando um documento que saiu do ar — ou somando tabelas regionais que não combinam entre si, inclusive na unidade de medida.
O que ainda está no ar — e o número da tabela mais recente
Nem todas saíram. A mais recente e a mais bem documentada entre as que localizamos é o PDF de preços para trabalhos jornalísticos do Sindicato dos Jornalistas do Pará, hospedado no site do sindicato em pasta de setembro de 2023. Ela traz duas colunas, "valor anterior" e "atual", com correção declarada de 23,04% pelo IPCA:
| Serviço (jornalismo impresso) | Valor anterior | Valor atual |
|---|---|---|
| Lauda (20 linhas de 70 toques = 1.400 caracteres) | R$ 101,37 | R$ 124,73 |
| Lauda com mais de uma fonte consultada (+50%) | R$ 152,05 | R$ 187,08 |
| Revisão por página — simples | R$ 41,34 | R$ 50,86 |
| Revisão por página — completa (duas leituras) | R$ 62,01 | R$ 76,30 |
| Assessoria de imprensa (por hora) | R$ 72,34 | R$ 89,01 |
A coluna "atual" foi conferida aritmeticamente: R$ 101,37 × 1,2304 = R$ 124,73, e o mesmo fator reproduz todas as outras linhas do documento. A tabela é datada de 2023 e pertence exatamente ao conjunto que o Cade questionou — use como piso de negociação, não como preço garantido.
E ela não está sozinha. Outras duas entidades seguiam com tabela de freelance publicada em 20/08/2026 — nenhuma das duas informa data de reajuste no bloco de freelance:
- Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora — página "Tabela de Freelance" no ar, com lauda editorial a R$ 78,86 e lauda comercial a R$ 105,15, mais revisão por lauda a R$ 17,53 e assessoria de comunicação a R$ 105,15 a hora. A página não informa quantos caracteres tem essa lauda, o que impede converter o valor para "por palavra".
- Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná (Casa do Jornalista, Londrina) — bloco "Sugestões de preços para free lancer", com redação de lauda de 20 linhas (1.440 caracteres) com mais de duas fontes a R$ 159,01 e revisão da mesma lauda a R$ 41,41. A tabela salarial publicada na mesma página é declarada como vigente desde maio de 2015.
O que sobrou, portanto, não é um piso nacional: é um mosaico regional em que muda o valor e muda até a unidade de medida — 1.400 caracteres por lauda no Pará, 1.440 em Londrina, tamanho não declarado em Juiz de Fora. Comparar "valor de tabela" sem checar a definição de lauda de cada uma leva a erro, e é exatamente o assunto da próxima seção.
📏 Quanto é uma lauda — e por que ela não tem um tamanho só
"Lauda" não tem um tamanho único, e é aí que muita cobrança sai errada. Existem duas convenções principais em uso no Brasil — e nem elas são estáveis:
- Lauda jornalística: 1.400 caracteres com espaços (20 linhas de 70 toques). É a definição escrita na própria tabela do sindicato do Pará.
- Lauda de tradução: 2.100 caracteres com espaços (30 linhas de até 70 toques). É a definição publicada pelo Sindicato Nacional dos Tradutores (Sintra) na página de valores de referência.
- E há variação dentro da própria convenção jornalística: a tabela do sindicato do Norte do Paraná define a mesma "lauda de 20 linhas" como 1.440 caracteres, não 1.400 — 2,9% a mais de texto pelo mesmo rótulo.
Uma lauda de tradução é 50% maior que uma lauda jornalística. Fechar "R$ 120 a lauda" sem dizer qual delas é abrir mão de um terço do valor sem perceber.
Cliente de conteúdo digital não fala em lauda, fala em palavras. Para converter é preciso saber quantos caracteres tem uma palavra em português. Em vez de estimar, a conta abaixo usa um corpus real: os 274 textos publicados neste site, somando 2.525.313 caracteres e 434.775 palavras.
- 5,81 caracteres por palavra, já contando o espaço
- Lauda jornalística de 1.400 caracteres ≈ 241 palavras
- Lauda de tradução de 2.100 caracteres ≈ 362 palavras
- Logo, R$ 124,73 por lauda jornalística ≈ R$ 0,52 por palavra
- E um artigo de 1.000 palavras ≈ 5.808 caracteres ≈ 4,15 laudas ≈ R$ 517,48
A média de caracteres por palavra varia com o assunto: texto jurídico e técnico usa palavras mais longas, texto coloquial usa mais curtas. Refaça a conta com o seu próprio material se a diferença importar no fechamento.
Vale o contraponto do sindicato dos tradutores, que também continua publicando valores: o Sintra referencia R$ 0,45 por palavra para tradução e R$ 0,57 para versão. Chama atenção que a referência jornalística convertida (R$ 0,52) e a de tradução (R$ 0,45) cheguem tão perto uma da outra vindo de tabelas independentes.
E um detalhe honesto da mesma tabela do Sintra: tradução editorial, aquela de livro, é cobrada por lauda de 2.100 caracteres a R$ 43,02 — o que dá cerca de R$ 0,12 por palavra, quase um quarto do valor por palavra avulso. Trabalho de livro paga menos por palavra, não mais. A observação é da tradução, mas o padrão se repete em redação e revisão editorial, como a próxima seção mostra pelas vagas abertas.
💵 O que o mercado realmente oferecia em 20/08/2026
Referência sindical é uma coisa. O que o cliente digita no anúncio é outra. Em 20/08/2026, a lista pública de projetos abertos em português da categoria "Tradução e conteúdos" da Workana tinha 28 projetos. Todos publicam a faixa de orçamento escolhida pelo cliente. Destes, 27 eram por preço fechado e 1 por hora, na faixa de US$ 15 a 45 por hora.
| Faixa publicada pelo cliente | Projetos | % dos 27 | Equivalente em reais |
|---|---|---|---|
| Menos de US$ 50 | 10 | 37,0% | até R$ 258,54 |
| US$ 50 – 100 | 10 | 37,0% | R$ 258,54 – 517,08 |
| US$ 100 – 250 | 5 | 18,5% | R$ 517,08 – 1.292,70 |
| US$ 500 – 1.000 | 2 | 7,4% | R$ 2.585,40 – 5.170,80 |
Conversão pela cotação PTAX de compra do Banco Central de 19/08/2026: R$ 5,1708 por dólar — a PTAX do dia 20 só é publicada no fim da tarde. Nenhum projeto da amostra caiu na faixa US$ 250–500.
Vale fixar o tamanho do que está sendo medido, porque é daqui que sai o número mais citável deste guia: é uma amostra de um dia, de uma categoria e de uma plataforma — os 28 projetos abertos em português na categoria "Tradução e conteúdos" da Workana em 20/08/2026, dos quais 27 por preço fechado. Não é o mercado inteiro nem uma série histórica; é o que estava efetivamente publicado naquele dia, com a faixa que o próprio cliente escolheu.
O confronto que resume o mercado: um único artigo de 1.000 palavras, pela referência sindical, vale R$ 517,48. E R$ 517,08 — praticamente o mesmo valor — era o teto de 74% dos projetos abertos na Workana, para o projeto inteiro, que em geral pede vários textos. A referência de uma peça equivale ao orçamento total de três em cada quatro vagas.
Falta ainda descontar a comissão. A Workana cobra do freelancer 20% no início da relação com cada cliente, caindo a 10% e depois a 5% conforme o valor pago por aquele mesmo cliente sobe. Um projeto de US$ 50 no início da relação rende US$ 40 líquidos, cerca de R$ 206,83, antes do custo de saque via PayPal, Payoneer ou Mercado Pago. As taxas das oito principais plataformas internacionais estão detalhadas no comparativo de comissão real deste site.
👥 A concorrência é o número que ninguém publica no anúncio
Preço baixo tem explicação, e ela aparece quando se olha o outro lado do balcão. Na mesma data, a categoria Escrita da 99Freelas tinha 37 projetos abertos — contra 1.638 projetos abertos no site inteiro e 263 só em Design & Criação. A categoria de texto é uma das menores do maior marketplace de freelance do Brasil.
Cada uma das 37 páginas de projeto foi aberta para registrar quantas propostas o anúncio já havia recebido. É um dado que muda a decisão e que nenhuma lista de plataformas menciona:
| Subcategoria oficial | Vagas | Propostas (mediana) | Menor | Maior |
|---|---|---|---|---|
| Redação | 5 | 232 | 54 | 635 |
| Edição & Revisão | 11 | 127 | 33 | 245 |
| Roteiro | 10 | 58,5 | 32 | 159 |
| Copywriting | 8 | 46,5 | 13 | 266 |
| Demais (currículo, assessoria, outros) | 3 | 19 | 10 | 324 |
No conjunto: mediana de 83 propostas por projeto, 8 dos 37 anúncios com 200 ou mais concorrentes, e 4.508 propostas somadas em 37 vagas.
Os extremos merecem nome, porque explicam o mecanismo inteiro:
- "Produção de textos para blogs e miniblogs" — textos de 150 a 300 palavras, orçamento aberto: 635 propostas e 696 interessados.
- "Escrever artigo de 1.000 palavras para blog de finanças" — o anúncio diz explicitamente que aceita redatores iniciantes: 209 propostas.
- Do outro lado: "Assessoria de imprensa para escritor", 10 propostas. "Copywriter para VSLs de 10 a 15 minutos", 13. "Roteiros para vídeos de YouTube — inglês necessário", 32. "Revisão sistemática com buscas em Scopus e Web of Science", 33.
O que separa uma vaga de 10 propostas de uma vaga de 635 não é o preço, e não é a dificuldade de escrever. É a existência de um requisito nomeável e verificável no anúncio: inglês, VSL, Scopus, assessoria de imprensa, farmacoeconomia. Quando o anúncio pede só "escrever bem", ele fala com todo mundo — e você disputa com 634 pessoas dispostas a cobrar menos que você. Quando pede uma competência com nome, a fila encolhe de 20 a 60 vezes. Não escolha o que você sabe escrever. Escolha o que exclui os outros candidatos.
Uma diferença operacional relevante entre as duas plataformas: os 37 projetos da 99Freelas estavam com orçamento "Aberto", ou seja, o cliente não publica quanto pretende pagar — você propõe às cegas. Na Workana, a faixa vem no anúncio. Para quem está calibrando preço, a Workana mostra o número antes; a 99Freelas, só depois. Vale ler também a análise da taxa real da 99Freelas segundo os termos de uso, que divergem entre duas páginas do próprio site.
📈 Onde a demanda por texto realmente está
Os mesmos 37 títulos, classificados pelo serviço principal que pedem. Onde o título cita dois serviços — "copy e roteiros", por exemplo — foi contado o primeiro. A classificação abaixo é da nossa redação, não da plataforma:
| Tipo de trabalho pedido | Vagas | Exemplos reais do anúncio |
|---|---|---|
| Roteiro para vídeo | 12 | canal de games, Manhwa Recap, documentais em inglês, Free Fire, Reels |
| Revisão / edição | 10 | dissertação de mestrado, romance, material do ENEM, e-book |
| Copywriting / vendas | 6 | landing page, VSL, campanha publicitária, infoproduto |
| Outros | 6 | currículo, posts de LinkedIn, assessoria, e-book, resumo de aula |
| Artigo de blog | 3 | artigo de finanças, textos para miniblogs, redação a partir de fotos |
Leia essa tabela junto com a anterior. "Escrever artigo de blog" — exatamente o que a maioria dos cursos de redação ensina — era 3 das 37 vagas, e as três estavam entre as mais disputadas. Roteiro de vídeo e revisão, somados, eram 22 das 37. A demanda por texto não sumiu: ela mudou de formato. Foi para o que vira voz humana na frente de uma câmera e para o que precisa de alguém garantindo que o texto está certo.
É uma amostra de um dia e de uma plataforma — não é o mercado inteiro, e não substitui uma série histórica. Mas é a lista real de quem estava contratando naquele dia, com o número de concorrentes ao lado, e isso já é mais do que qualquer tabela genérica oferece.
🧱 O caminho do zero, na ordem que funciona
1. Escolha o serviço pelo filtro, não pelo gosto
Antes de escrever qualquer linha de portfólio, decida qual requisito verificável você consegue oferecer em 30 dias. Não precisa ser exótico. Serve inglês de leitura, familiaridade com um nicho onde você já trabalhou ou estudou, domínio de norma culta para revisão acadêmica, ou entender a estrutura de um roteiro de vídeo longo. É esse requisito que tira você da fila de 635.
2. Portfólio sem cliente: 3 peças do mesmo tipo, não 5 assuntos diferentes
A recomendação clássica — e que a versão anterior deste texto repetia — é escrever cinco artigos de assuntos variados e hospedar num Notion ou Medium. O problema é que isso demonstra exatamente a habilidade que outras centenas de candidatos também demonstram.
Um portfólio que funciona como filtro faz o contrário: três peças do mesmo serviço, no mesmo nicho, no formato exato que o cliente compra. Se o alvo é roteiro de canal de games, sejam três roteiros de 8 minutos com marcação de tempo e gancho de abertura. Se o alvo é revisão acadêmica, seja um trecho com as marcações de revisão visíveis e uma nota explicando cada intervenção. O cliente não avalia se você escreve bonito; avalia se você já entregou aquele objeto antes.
Hospedagem: qualquer link estável e público serve — documento aberto, página simples, PDF em nuvem. O que decide não é a ferramenta, é o link abrir de primeira no celular de quem vai contratar.
3. Onde estão os primeiros trabalhos
- Workana — a faixa de orçamento vem no anúncio, o que ajuda a calibrar preço desde o começo. Comissão de 20% no início da relação com cada cliente. Quantas propostas cada projeto já recebeu não entrou nesta apuração, então não há aqui comparação de fila com a 99Freelas.
- 99Freelas — categoria pequena (37 vagas abertas na data) e orçamento oculto, mas cliente 100% brasileiro e pagamento em real, sem conversão de moeda.
- Cliente direto — é onde a conta fecha melhor, porque não há comissão. O caminho realista aqui não é anunciar; é procurar quem já publica conteúdo do seu nicho e oferecer o serviço específico que falta no que ele publica.
4. Quanto tempo até o primeiro pagamento
Esse prazo é onde a maioria desiste, e ele é maior do que a expectativa. Somando o que as plataformas documentam:
- Enviar propostas até ser escolhido — não há prazo garantido, e num anúncio de 200 ou mais propostas a chance por proposta é baixa por definição.
- Executar e entregar o trabalho.
- Esperar a aprovação do cliente — o contador de repasse só começa depois disso, não depois da entrega.
- Repasse: na 99Freelas, 6 dias úteis no plano gratuito (4 no Pro, 2 no Premium), contados a partir da aprovação.
- Saque, quando o pagamento é em dólar: mais o prazo e o custo do PayPal, Payoneer ou Mercado Pago.
Contar com duas a três semanas entre a entrega e o dinheiro disponível, no melhor cenário, é planejamento realista. Quem depende do valor para pagar conta do mês precisa saber disso antes de aceitar o trabalho.
5. Preço: comece pela sua hora, não pela tabela
Tabela sindical é piso de negociação. O número que decide se o trabalho vale a pena é outro: quanto sobra por hora efetivamente trabalhada, descontando pesquisa, revisão, reunião, ajuste fora do escopo e comissão da plataforma. Um projeto de US$ 50 que consome 12 horas paga menos por hora que quase qualquer alternativa. A conta completa, com fórmula e fator de utilização, está em como precificar serviço como freelancer.
🚫 Duas coisas que este guia não vai prometer
Não existe número confiável de "renda média de redator freelancer no Brasil". Nem a Workana, nem a 99Freelas, nem os sindicatos publicam ganho efetivo de quem escreve. Qualquer guia que apresente uma faixa mensal de renda para redator iniciante está estimando sem dizer que está — foi o erro da versão anterior desta página, e ele não se repete aqui.
E curso não é o gargalo. Os dados acima mostram onde o funil aperta: não é falta de técnica de escrita, é excesso de gente oferecendo a mesma coisa genérica. Um curso que ensina "a escrever melhor" não move esse número. O que move é ter um requisito que a maioria dos 635 concorrentes não tem.
🔎 O que não foi possível confirmar
- Preços da Fiverr — em 20/08/2026 a página pública de categoria devolveu HTTP 403 à requisição de linha de comando e, aberta em navegador, não chegou a carregar a listagem com os valores. Sem dado próprio conferido, este guia não publica faixa de preço da Fiverr. A comissão dela, 20% fixos confirmados na central de ajuda, está no comparativo de plataformas.
- Formalização como MEI para redator — a página oficial do Portal do Empreendedor afirma que a atividade precisa constar na lista de ocupações permitidas, mas a lista é carregada por JavaScript e não foi possível confirmar por fonte primária se "redator" figura nela. Consulte a lista no Portal do Empreendedor antes de assumir que dá — fontes secundárias afirmam coisas contraditórias sobre isso.
- Orçamento dos projetos da 99Freelas — os 37 estavam com orçamento "Aberto". Os valores efetivamente pagos não são públicos.
- Concorrência na Workana — esta apuração não mediu quantas propostas cada projeto da Workana já havia recebido. Todos os números de fila publicados acima são da 99Freelas, e por isso este guia não compara concorrência entre as duas plataformas — as categorias medidas também não são equivalentes: na Workana a amostra é a de "Tradução e conteúdos", na 99Freelas a de "Escrita".
- Situação atual do inquérito do Cade — os comunicados dos sindicatos são de 2024 e 2025 e não citam número de processo. Não foi possível confirmar de forma independente se houve decisão final.
✅ Veredito
Escrever em casa continua sendo trabalho pago e sério, mas em 2026 ele funciona ao contrário do que a maioria dos guias ensina. O piso nacional de referência da categoria saiu do ar por ação do Cade; a tabela sindical mais recente que continua publicada, a do Pará, aponta cerca de R$ 0,52 por palavra, enquanto, nos 27 projetos de preço fechado que a Workana tinha abertos em português em 20/08/2026, três em cada quatro tinham teto de US$ 100 para o projeto inteiro. A distância entre esses dois números é a concorrência — 635 propostas na vaga que qualquer um pode pegar, 10 na que exige uma competência com nome.
O passo que muda o resultado não é escrever melhor. É escolher, antes da primeira linha do portfólio, qual requisito verificável você vai carregar no perfil.
O que foi conferido e quando. Amostras de projetos e cotação: consulta em 20/08/2026.
- Sindicato dos Jornalistas do Pará — Tabela de Freelancer (PDF, pasta de set/2023): lauda de 1.400 caracteres, valores anterior e atual com IPCA de 23,04%
- Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Juiz de Fora — Tabela de Freelance: lauda editorial a R$ 78,86, lauda comercial a R$ 105,15, revisão por lauda a R$ 17,53; página sem data de reajuste e sem definição do tamanho da lauda (consulta em 20/08/2026)
- Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná — "Sugestões de preços para free lancer e piso salarial da categoria": redação em lauda de 20 linhas (1.440 caracteres) com mais de duas fontes a R$ 159,01, revisão da mesma lauda a R$ 41,41; tabela salarial da mesma página declarada vigente desde maio de 2015 (consulta em 20/08/2026)
- Sintra — Valores de referência: R$ 0,45 por palavra em tradução, R$ 0,57 em versão, lauda de 2.100 caracteres, tradução editorial a R$ 43,02 por lauda
- Sindicato dos Jornalistas de SP — "Por que o Sindicato retirou a tabela de frilas do ar?" (13/09/2024): inquérito do Cade aberto em 2023 contra a Fenaj e 25 sindicatos; tabela removida em junho de 2024
- Sindicato dos Jornalistas do DF — "Saiba por que o SJPDF tirou do ar a tabela de frilas" (28/01/2025)
- Workana — categoria "Tradução e conteúdos", filtro de idioma em português (workana.com/pt/jobs, categoria Tradução e conteúdos): 28 projetos abertos e suas faixas de orçamento na consulta de 20/08/2026. Aparece sem link porque a listagem devolve HTTP 403 quando pedida por linha de comando; em navegador a página abre normalmente.
- 99Freelas — categoria Escrita: 37 projetos abertos, contra 1.638 no site inteiro
- 99Freelas — "Produção de textos para blogs e miniblogs": 635 propostas
- 99Freelas — "Escrever artigo de 1.000 palavras para blog de finanças": 209 propostas
- Banco Central — histórico de cotações PTAX: dólar de compra de 19/08/2026 em R$ 5,1708
- Portal do Empreendedor — Ocupações permitidas ao MEI: consulte antes de assumir que sua atividade se enquadra
A única fonte sem link é a listagem da Workana, pelo motivo descrito no próprio item: ela recusa requisição de linha de comando e só abre em navegador. Todas as demais foram abertas e conferidas em 20/08/2026.